segunda-feira, 12 de junho de 2017

Morre herói da independência da Namíbia e companheiro de prisão de Mandela


Da EFE
Companheiros de resistência e organizações da sociedade civil rendem homenagens neste domingo, na Namíbia e na África do Sul, ao emblemático ativista namíbio Herman Andimba Toivo Ya Toivo, um dos pais da independência de seu país e companheiro de prisão de Nelson Mandela. As informações são da Agência EFE. 
Toivo Ya Toivo morreu na sexta-feira em seu país aos 93 anos de idade, deixando para trás uma vida de comprometimento político que o levou a passar 16 anos na cadeia e que, por fim, lhe rendeu cargos de ministro no governo da Namíbia.
Organizações como a Fundação Ahmed Kathrada - que leva o nome de outro ícone da resistência ao apartheid na África do Sul que morreu este ano - se juntaram às homenagens e às condolências.
Toivo Ya Toivo foi um dos fundadores da Swapo (Organização do Povo do Sudoeste da África), o movimento de guerrilha que combatia a dominação colonial da África do Sul na Namíbia (chamada então de África do Sudoeste) e que governa o país desde a sua independência em 1990.
O histórico líder foi um dos 36 namíbios detidos em 1966 pelo governo segregacionista sul-africano e encarcerados na ilha-prisão de Robben Island, onde Nelson Mandela passou 18 anos.
Toivo Ya Toivo - que participou de greves de fome na prisão e passou nove meses em regime de isolamento por agredir um guarda - foi libertado em 1984 e continuou o seu trabalho político ao assumir o cargo de secretário-geral da Swapo e vários ministérios após a independência da Namíbia.
O Congresso Nacional Africano (CNA) - partido de governo na África do Sul e aliado da Swapo durante a luta contra o apartheid - lembra Toivo Ya Toivo como "um lutador pela liberdade" e um "pan-africanista e internacionalista progressista" que também defendeu a causa dos trabalhadores.
Uma das ações que o herói da história da Namíbia fez na clandestinidade foi enviar à Organização das Nações Unidas (ONU) depoimentos gravados de trabalhadores sul-africanos do setor da mineração sobre as duras condições de vida nos jazigos do país, uma ação que lhe rendeu represálias por parte do regime sul-africano.

Taís Araújo sobre o racismo

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Negritude no Brasil

Basta olharmos ao redor para ver quem são os menos favorecidos, ou os que se submetem a subempregos
20/11/2012 - 05h00 | Victor Almeida Filho
Assumir-se negro/a no Brasil é uma das condições mais complicadas para exercer a plena cidadania. E quem assume a sua negritude deverá também assumir os riscos que isso acarreta.

O leitor poderá até contestar esta minha argumentação, dizendo que as oportunidades hoje são iguais para todos, mas se for adiante e se debruçar de forma responsável sobre os dados de desigualdades e discriminação no Brasil, perceberá que a realidade da população negra é ainda hoje perversa. Basta olharmos ao redor para ver quem são os menos favorecidos, ou os que se submetem a subempregos.

A libertação da escravatura em 1888, não trouxe o ressarcimento de anos a fio de exploração. Deu aos Negros a liberdade, mas não lhes conferiu uma indenização digna por parte da sociedade. Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a Abolição. A maioria dos negros encontrou grandes dificuldades para conseguir colocação no mercado.

Os negros são grande maioria de nossa população; entretanto, eles não têm ainda a maioria das oportunidades. Se observarmos os bancos das faculdades perceberemos o reduzido número de negros. Na Igreja isso não é diferente, são poucos os que assumem a radicalidade do sacerdócio, num passado não muito distante, para ser padre na Igreja católica era preciso “ter boa aparência” e até hoje precisam conviver com o preconceito e a discriminação em relação às religiões de matriz africana.

Estudo do Ipea intitulado “Retrato das Desigualdades de gênero e raça”, aponta que no Brasil “os negros são grande maioria entre os mais pobres, estão nas posições mais precárias do mercado de trabalho e possuem os menores índices de educação”. 69% dos domicílios que recebem Bolsa Família, 60% dos que recebem Benefício de Prestação Continuada e 68% dos que participam do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil são chefiados por negros.

Na verdade, os países hoje chamados desenvolvidos, descobriram que para uma nação ser considerada como tal, precisa diminuir as diferenças sociais. Nesse sentido, a adoção de cotas raciais não é uma invenção brasileira, países como os EUA e a África do Sul aumentaram as chances de os negros entrarem no ensino superior dessa forma. Foi no ano 2000 que as cotas começaram a ser implementadas por aqui. Essa pode ser uma alternativa temporária na expectativa de que o ensino público brasileiro forme alunos capazes de disputar as vagas de igual por igual com estudantes das escolas particulares.

O Supremo Tribunal Federal aprovou a política de cotas raciais nas universidades públicas. A decisão vale para todas as universidades públicas que já usam ou pretendem implantar o sistema. Na Universidade de Brasília, 20% das vagas do vestibular são para a cota de negros. Esses candidatos concorrem entre si. Isso, porém, não isenta os responsáveis de providenciar boas escolas nas áreas carentes.

A sociedade norte-americana, que elegeu Barack Obama presidente, a seu tempo e a seu modo está se confrontando com o violento conflito racial que sempre a caracterizou. Enquanto isso, no Brasil do “racismo cordial” ações afirmativas são frequentemente questionadas. Quando observados dados do IBGE de 2010 o fato fica mais evidente: dentre as pessoas ocupadas os amarelos e os brancos tiveram salários médios 37,6% e 26,9% acima da média. Os pardos, negros e indígenas receberam salários 29%, 31,3% e 36% abaixo da média.

Felizes aqueles que descobrem, apesar do preconceito, a importância de assumir sua negritude e a riqueza de se vivenciar a cultura da terra-mãe de todos, a África. Por isso, a celebração da Consciência negra não se reduz a etnia negra, mas pode envolver as outras. Nesse sentido, entre as diversas pastorais da Igreja, uma se destaca quando nos referimos à Negritude: a Pastoral do Negro. Ela busca animar os grupos negros católicos; incentiva o surgimento de novos e as Igreja plurais. Hoje é uma data emblemática, pois foi num 20 de Novembro que Zumbi dos Palmares preferiu tombar lutando no quilombo da liberdade a ser consumido pelo engenho da economia açucareira. Por isso, 20 de Novembro é memória de resistência, convite à reflexão.

O racismo que escapole no discurso politicamente correto do ministro Barroso. Por Felipe Freitas

 


Publicado no Justificando
Por Felipe da Silva Freitas
Na última quarta-feira (07) o Ministro Roberto Barroso compareceu à cerimônia de aposição do retrato do ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, e, ao saudá-lo afirmou que ele é um “negro de primeira linha”, com doutorado em Paris, a quem tinha tido a honra de receber na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Segundo os presentes o ministro Joaquim Barbosa deixou transparecer no semblante a irritação e o caso foi parar na imprensa provocando uma retratação no dia seguinte.
Na abertura da sessão plenária do STF de 08 de junho Luis Roberto Barroso desculpou-se pelo ocorrido, afirmou que a expressão “primeira linha” referia-se à palavra intelectual, e não à palavra negro, e disse que se retratava àqueles que eventualmente tenham se sentido ofendidos. O caso pareceu resolvido.
Contudo, penso que continua sendo oportuno pensar, mesmo depois das desculpas apresentadas, sobre o que significa a frase do ministro Barroso e refletir sobre como sua afirmação é elucidativa de como funciona o racismo à brasileira.
“Temos aprendido dia a dia no Brasil que não basta interditar trajetórias negras e inviabilizar sua presença na cena pública”.
O repertório do racismo nacional também especializou-se em marcar com categorias raciais para sublinhar o aspecto desconforme destes corpos negros no mundo branco. Ainda que por meio de elogios, aparentemente marcados de boa intenção, multiplicam-se frases sobre a menina que é negra, mas é bonita; moreno, mas muito inteligente; escuro, porém, extremamente honesto
Quando não há como evitar que negros circulem, ainda que minoritariamente, em espaços de poder, riqueza e prestígio são acionados processos para relembrar que negros são a subclasse do mundo e que, em função disso, só podem acessar aos lugares periféricos da história. Quando se reconhece o talento negro isso sempre vem acompanhado de uma conjunção adversativa, pronta a enunciar que aquele talento é surpreendente, ou seja, não esperado de “pessoas de cor”.
“Ao ressaltar que o ministro Joaquim é um negro de primeira linha o ministro Barroso está lembrando que os negros em geral são negros de linha alguma, subclasse de gente de quem se questiona a humanidade”.
É em face do seu acesso ao mundo dos brancos (doutorado na França, erudição europeia, conhecimento dos idiomas dos países centrais) que Barbosa pode ser digno de registro no repertório controverso das relações raciais no Brasil, mas nunca será efetivamente um igual no mundo dos ministros do STF. Será sempre um “outro” que, apesar da raça, chegou conjunturalmente aquele lugar.
Certamente a fala do ministro Barroso será defendida a partir do discurso de que ele é um estudioso das ações afirmativas; colaborou com pautas da comunidade negra e até que ele tem amigos negros, que frequentam sua casa e gozam de sua confiança. Mas, o racismo se retroalimenta justamente desta contradição: convive-se com negros sem que isso rompa com os pactos e privilégios típicos de uma sociedade construída a partir de modelos de desigualdade e violência.
Certamente Barroso pretendeu ser gentil e elogioso com o seu ex colega de tribunal. Mas a hierarquia do racismo reside justamente na possibilidade de – consciente e inconscientemente – reforçar estigmas e estereótipos; alimentar-se deles para criar desigualdades, e, quando a injustiça racial é denunciada, rapidamente poder afirmar que foi brincadeira, que foi um mal-entendido, que foram os negros que entenderam errado e que não era o objetivo ofender. É o velho dá o tapa e esconde a mão.
O elogio desastrado de Barroso a Joaquim releva mais do que aquilo que enxergamos num primeiro momento. Mais do que uma gafe – como registrou a imprensa – ou mais do que uma palavra infeliz – como anotou o próprio Ministro – a segmentação dos negros entre os de primeira e os de segunda é uma velha narrativa pela qual o Brasil expressa seu incontornável desconforto com negros e negras que aparecem e brilham demais.

segunda-feira, 5 de junho de 2017


      Aníbal de Cartago
   O maior dos táticos militares da história






Uma força de elite: vestidos com armaduras de bronze, os cartagineses são uma tribo altamente culta com um corpo militar e marítimo desenvolvido.Aníbal Barca, nascido em 247 a.C., era o filho do grande general cartaginês Amílcar. Os Barcas eram uma família de líderes militares, os maiores generais do exército cartaginês. Amílcar havia lutado contra os romanos na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.). Ele foi obrigado a evacuar a Sicília após os romanos terem destruído a frota cartaginesa, uma humilhação pela qual nunca perdoou os romanos. Amílcar passou a obrigação da vingança ao seu filho, que, aos 9 anos, teve que cumprir um pacto de sangue, jurando que, um dia, derrotaria Roma. O jovem Aníbal foi levado de Cartago às colônias espanholas, onde foi criado. Durante seu crescimento, apaixonado pela guerra, Aníbal também recebeu educação de alto nível e teria supostamente escrito livros tanto em púnico quanto em grego.